Nova geração de Vacina Antidengue é desenvolvida em estudo com participação do NAIVE-UFOB

Trata-se de uma inovação em relação às vacinas mais tradicionais, baseadas no vírus completo

Em 30/10 de 2020

Imagem destaque reprodução Funcamp

A parceria

Um estudo liderado pelo Prof. Luís Carlos de Souza Ferreira, do ICB-USP, em colaboração com o Prof. Jaime Henrique, do NAIVE-CCBS-UFOB, testou uma formulação vacinal baseada em proteínas do Vírus da dengue que não estão presentes na partícula viral, as chamadas proteínas não estruturais. Tais proteínas são importantes na biossíntese viral, que permite a multiplicação do vírus. Trata-se de uma inovação em relação às vacinas mais tradicionais, baseadas no vírus completo.

Entenda os detalhes

Acontece que o vírus completo estimula a produção de anticorpos anti-partícula viral. O problema é que na dengue, tais anticorpos estão envolvidos num importante mecanismo de imunopatogênese, que leva ao desenvolvimento de formas mais graves da doença. O mecanismo é baseado em anticorpos que ajudam o vírus a se multiplicar mais rápido, agravando os danos gerados ao hospedeiro e é denominado ADE (do inglês antibody dependente enhancement). Os anticorpos que participam do ADE têm afinidade por proteínas presentes na partícula viral, chamadas de proteínas estruturais. Por isso, desde a sua época de doutorado, o Prof. Jaime, que foi orientado pelo Prof. Luís, teve a ideia de desenhar formulações vacinais antidengue baseadas em proteínas não estruturais, justamente para evitar o ADE.

Histórico

Na época de seu pós-doutoramento, o Prof. Jaime havia conduzido um estudo baseado em modelo vacinal de vírus completo mostrando que o controle imunológico do Vírus da dengue ocorre independentemente de anticorpos. Mostrou que o controle viral é dependente de resposta imunológica celular, baseada em linfócitos T capazes de produzir substâncias antivirais e de reconhecer e eliminar células do corpo já infectadas pelo vírus. Neste estudo, o Prof. Jaime verificou que esse tipo de resposta tem como alvos principais as proteínas não estruturais, dando o primeiro passo para a confirmação de sua hipótese.

O ‘Aedes’ transmite dengue, zika e chikungunya | Foto: Reuters/Josue Decavele | Reprodução O Estadão

Presente

O estudo publicado em 30/10/2020 foi conduzido pelo recém doutor Rúbens Prince dos Santos Alves e foi baseado no uso de uma formulação vacinal contendo apenas proteínas não estruturais. Rúbens e seus colaboradores mostraram que a resposta imunológica induzida pela vacina controla o Vírus da dengue impedindo que o mesmo se multiplique nas células do hospedeiro. A vacina teve eficácia de 100 % em modelo onde os animais imunizados são desafiados com dose letal do vírus. E foi comprovado que o mecanismo imunológico foi baseado em linfócitos que reconhecem especificamente porções das proteínas não estruturais do vírus e passam a eliminá-lo por meio da produção de substâncias antivirais.

Perspectivas

Com a publicação dos estudos mencionados a equipe de pesquisa começa a consolidar uma importante teoria, a qual pode embasar uma nova geração de vacinas antidengue, potencialmente mais eficazes e sem risco de indução de ADE.

Links para os artigos publicados:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S004268221500433X?via%3Dihub
https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmedt.2020.558984/full?&utm_source=Email_to_authors_&utm_medium=Email&utm_content=T1_11.5e1_author&utm_campaign=Email_publication&field=&journalName=Frontiers_in_Medical_Technology&id=558984

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