Galeria F dos presos políticos será transformada em espaço de memória da ditadura

Secom Bahia Atendendo a uma proposta da Comissão Estadual da Verdade – Bahia, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) vai transformar, ainda este ano, a famosa Galeria F, ala dos presos políticos, na Penitenciária Lemos Brito (PLB), em um espaço de memória da ditadura. A decisão foi anunciada pelo titular da […]

Em 04/02 de 2015

Secom Bahia

Foto: Chico Ribeiro

Foto: Chico Ribeiro

Atendendo a uma proposta da Comissão Estadual da Verdade – Bahia, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) vai transformar, ainda este ano, a famosa Galeria F, ala dos presos políticos, na Penitenciária Lemos Brito (PLB), em um espaço de memória da ditadura. A decisão foi anunciada pelo titular da Seap, Nestor Duarte Neto, nesta quarta-feira, 4, após visita ao espaço no dia anterior, em companhia de dois integrantes da Comissão Estadual da Verdade (CEV), Carlos Navarro (coordenador) e Joviniano Neto, e do diretor da Penitenciária Lemos Brito, Everaldo Jesus de Carvalho.

Memória
O coordenador da CEV-BA, Carlos Navarro, explica que a transformação da Galeria F em espaço de memória é um antigo anseio dos presos políticos que por lá passaram, entre eles José Carlos Zanetti e Emiliano José, que fizeram a sugestão à Comissão. Na visita, o secretário Nestor Duarte Neto garantiu todo apoio ao projeto, que inclui restauro que possa possibilitar o retorno à situação anterior em cada uma das 20 celas destinadas aos presos políticos. “É um espaço de preservação para que a população possa conhecer a história das pessoas que passaram por aqui”, afirmou.

A Galeria F, situada no prédio circular com um total de 119 celas, o primeiro da PLB, construído em 1950, encontra-se desativada. Por lá passaram 85 presos políticos, entre eles o jornalista e escritor Emiliano José, que ficou preso por quatro anos (1971-1974). Ele é autor de livros relatando o horror dos anos de chumbo naquela galeria.

A historiadora Cláudia Trindade, que desenvolve um trabalho de pesquisa no Centro de Documentação da Penitenciária, já localizou diversos prontuários de presos políticos até hoje não registrados pela CEV e outras entidades. O diretor da Lemos Brito, Everaldo Jesus de Carvalho, disse que o projeto prevê também transformar o espaço em um Centro Dinâmico de Cultura Prisional, com escolas profissionalizantes e outras atividades.

Ainda durante a visita, o secretário Nestor Duarte Neto visitou os novos prédios da Cadeia Pública para presos provisórios, em fase final de construção, com capacidade para 401 pessoas do sexo masculino e 286 na ala feminina.

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