Mãe acusa bucomaxilo de sobreaviso do HO de não atender seu filho

Especialista bucomaxilofacial solicitou o encaminhamento da criança ao ambulatório da unidade por não se tratar de quadro de emergência

Em 31/12 de 2019

Enquanto muitos festejavam o Natal em família, a enfermeira, Maristela Prado, precisou levar seu filho Lorenzzo Prado, de apenas 4 anos, às pressas para o Hospital do Oeste (HO), em Barreiras, Oeste da Bahia. No dia 25 de dezembro a criança sofreu um trauma na região interna do lábio superior após colidir com o primo ao pular na piscina. Maristela chegou com o seu filho ao HO no início da noite, onde buscou pelo serviço de pediatria, sendo prontamente atendida com toda atenção pelo pediatra e também pela equipe de enfermagem. O pediatra que avaliou inicialmente a criança, solicitou a avaliação com o bucomaxilofacial. Contudo, o Natal de 2019 será lembrado com revolta por Maristela e o pequeno Lorenzzo. Segundo Maristela, tanto o médico pediatra quanto uma das técnicas da equipe de enfermagem fizeram diversas tentativas de contato com a Dra. Sabrina, a bucomaxilo plantonista, que não atendeu às ligações nem respondeu às mensagens via WhatsApp.

“Esperei por quase 3 horas e nada do bucomaxilar aparecer para atender meu filho, que além de estar com dor no local do trauma, chorava com fome. Fui informada pela equipe do HO que a Dra. Sabrina não se encontrava mais na unidade, pois já havia encerrado o seu plantão e que o hospital iria tentar localizar o buco plantonista de sobreaviso, Dr. Walter Suruagy para passar o caso ao mesmo”, explica com detalhes Maristela. Ainda de acordo com ela, que presenciou a ligação para o Dr. Walter, o dentista questionou se o paciente apresentava sangramento, e foi informado pela enfermeira que havia sido contido. Em seguida, o profissional pediu que a criança fosse levada ao ambulatório no dia seguinte, pois ele não iria comparecer no hospital para atender a criança.

REVOLTA E INDIGNAÇÃO – “Meu filho foi liberado sem o bucomaxilar avaliar a situação pessoalmente. E para tornar a situação ainda mais revoltante, ao buscar atendimento particular para o meu filho em uma clínica de Barreiras, o mesmo dentista, Dr. Walter, também atendia nesta unidade, e para minha surpresa, também estava de sobreaviso. E ao falar comigo por telefone, negou atendimento ao meu filho, pois percebeu se tratar do mesmo caso relatado minutos antes no HO. Ou seja, o dentista estava de sobreaviso em duas unidades diferentes. Sou da área de saúde, e até onde sei, isso não é juridicamente legal. Onde vamos parar? Um especialista que recebe salário para atender de sobreaviso em duas unidades hospitalares, e quando é acionado se recusa. Ele é pago pra ficar em casa ou avaliar o paciente por telefone?”, aponta indignada a mãe do paciente que teve atendimento negado.

Maristela já relatou o caso à Ouvidoria do HO, que para sua surpresa só funciona em horário comercial. Ela também afirma que entrará com ação judicial contra a instituição na pessoa do dentista em questão, Dr. Walter Suruagy. Conforme nota do HO, Lorenzzo deu entrada no hospital às 18:34 do dia 25 de dezembro, sendo atendido pelo pediatra de plantão após 10 minutos. Ainda de acordo com o hospital, “foi realizado contato com o especialista bucomaxilofacial para orientação, o qual solicitou o encaminhamento ao ambulatório da unidade por não se tratar de quadro de emergência”.

SOBREAVISO – Segundo o dentista alvo da denúncia, Dr. Walter Suruagy, o quadro clínico do paciente infantil em questão não era uma emergência, por isso a orientação de encaminhá-lo ao ambulatório no dia seguinte, tal quadro foi relatado pelo plantonista do HO que avaliou a criança. “Não era uma urgência nem emergência, o HO é referência nestas duas situações, inclusive. Casos em que o paciente tem um machucado simples, um profissional de sobreaviso não é chamado. Somos chamados quando o plantonista não dá conta, ou seja, foge da especialidade dele”, explica Walter.

Ainda segundo ele, seu único contrato é com o HO, onde ele atua de sobreaviso e ganha por isso. Todavia, não tem nenhuma relação contratual com a COTEFI, clínica particular que a denunciante buscou após ir ao HO. Walter diz que é considerado cirurgião de referência pela COTEFI, e que por essa razão foi indicado pelo atendimento da clínica, e não por trabalhar de plantão. “Eu entendo a angústia e frustração da mãe, mas repensei minha atitude e estou tranquilo que fiz tudo dentro da ética e da humanidade. Tenho 10 anos atuando no HO, somos referência e atendemos bem a todos. Nunca vivenciei isso e fico triste com a proporção que o caso tomou”, lamenta o dentista.

Deixe seu comentário

*
*
Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Falabarreiras. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Falabarreiras poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto. É possível digitar até 600 caracteres. Os comentários que estiverem escritos em letras maiúsculas e tiverem links serão rejeitados.