Espanha: “estamos aproximando do tão esperado pico”

De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde da Espanha, já existem 64.059 contaminados pelo coronavírus e 4.858 mortos, além de 9.444 médicos e enfermeiros infectados

Em 27/03 de 2020

Sandra Cristina | Corresponde na Espanha

Pese que o governo creia que o país esteja chegando “tan esperado pico”, de contaminados, o certo é que a curva do coronavírus segue disparada. Os dados desta sexta-feira (27) voltam a mostrar um forte incremento.

A grande pregunta é: que fizeram mal na Itália e Espanha para superarem os números de mortos da China? E a grande resposta vem com uma só palavra: CONFINAMENTO.

Quando uma equipe de experts chegou da China na Itália depois de controlada a crise naquele país, 13 de março, advertiu a Itália que havia muita gente nas ruas, que os transportes públicos haviam que parar de circular, restringir a circulação de veículos e parar as atividades econômicas, medidas que foram realizadas dia 22 de março. Demasiado tarde.

Na Espanha, pese que o Ministério da saúde já havia detectado em fevereiro alguns contágios “importantes”, do coronavírus, não se tomou nenhuma providência até o dia l4 de março, quando o presidente do governo Pedro Ssanches declarou estado de alarme. Estado esse que decretava o confinamento, exceto para trabalhadores que tinham que estar presentes em seus postos de trabalho, levar os cachorros de passeio, deslocamentos para comprar, entre outros casos. Colégios foram fechados e comércios que não vendem alimentação igualmente, bares, restaurantes.

Os cerca de 200 mil chineses que vivem na Espanha, já alertavam para a gravidade do problema e começaram por conta própria a se fecharem em casa e cerraram seus comércios.

O que deixa claro se houve algo que frenou a pandemia na China, foram as medidas drásticas, incluindo a inclusão de pessoas assintomáticas que talvez com sintomas leves, eram potencialmente transmissores.

Ainda que Espanha tinha os exemplos de China, Iran e Itália, um país mais próximo, um dos maiores erros foi pensar que o coronavírus estava o suficientemente longe. Foi quando o Ministério da Saúde afirmou: “Espanha só terá um punhado de casos”. Seis semanas depois foram centenas de mortes diariamente e hoje soma quase 5 mil mortos.

Coronavírus chegou na Espanha sem que o país estivesse preparado, sem equipamentos essenciais, sem respiradores, sem roupas protetoras. China, apesar de todos os problemas apresentados e já solucionados no que diz respeito à fabricação de material, deixou de ser um vilão para ser um salvador, à medida que os equipamentos vão chegando.

Por fim, os governos da Espanha e Itália cometeram os mesmos erros, anunciaram os estados de alarme e as medidas necessárias e tardaram várias HORAS em aplicá-las, o que fez que boa parte da população se dispersara por distintos pontos dos países estendendo os contágios.

Por outro lado, as solicitações de asilo e as entradas ilegais no país caíram drasticamente. Apenas 25 pessoas pediram refúgio até agora, depois de estar em vigor o estado de alarme, frente aos mais de 3.800 casos da semana anterior ao decreto.

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