Análise do BCG aponta interiorização da Covid-19

No início de maio, capitais respondiam por 54% de novos casos, índice que caiu para 34% nesta semana

Em 30/05 de 2020

Fabiana Andrade | JeffreyGroup | Imagem destaque reprodução Jornal Acoplan

Análise semanal realizada pelo Boston Consulting Group a partir de dados oficiais do Ministério da Saúde confirma a tendência de expansão da Covid-19 para fora das capitais: no início de maio, essas cidades respondiam por 54% de novos casos, índice que caiu para 34% no início desta semana. A avaliação do BCG mostra também que a doença já chegou a 67% dos municípios brasileiros.

O BCG revela ainda a expansão do coronavírus nas regiões Nordeste e Norte, que já respondem, respectivamente, por 60% e 20% das novas cidades atingidas pela doença. Com maior concentração de infraestrutura de saúde nas capitais, esses estados enfrentam um desafio adicional na alocação dos recursos de saúde para atendimento aos doentes.

O interior pernambucano, por exemplo, conta com sete leitos de UTI por 100 mil habitantes e no interior cearense são oito leitos por 100 mil habitantes. As capitais desses estados, por outro lado, contam com 38 e 22 leitos por 100 mil habitantes, respectivamente. Segundo recomendações da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde, a relação ideal de leitos de UTI é de 10 a 30 leitos para cada 100 mil habitantes.

A vulnerabilidade da população mais carente também gera reflexos na região Sudeste. Em São Paulo, a mortalidade tem crescido em maior velocidade em áreas mais vulneráveis. No distrito do Grajaú, por exemplo, localizado na Zona Sul da capital, o número de mortes supera os 140 casos no período até 20 de maio.

O BCG fez um comparativo entre regiões com maior e menor índice de desenvolvimento humano na capital paulista que ajuda a compreender a disparidade na evolução da doença. Um dos pontos analisados é quantidade de pessoas dividindo o mesmo dormitório. Enquanto no bairro de Paraisópolis, com um dos menores IDHs da capital, o número de famílias com mais de duas pessoas dividindo o mesmo dormitório chega a 44%, no outro extremo, no bairro do Itaim Bibi, esse índice é de 2%. A densidade populacional, o acesso a água tratada e o índice de idosos convivendo com mais jovens são outros fatores que contribuem para a disseminação da doença nas regiões mais empobrecidas.

A análise semanal do BCG sobre os impactos da Covid-19 no Brasil pode ser consultada aqui.

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