18/março/2017- Atualizado em 18/03/2017 0:27:12

Trabalhadores Rurais do Oeste da Bahia denunciam prisões arbitrárias e ameaças de morte

Daniel Ferreira

Conflito agrário eleva violência contra trabalhadores no Oeste | Foto: divulgação

Conflito agrário eleva violência contra trabalhadores no Oeste | Foto: divulgação

Doze trabalhadores rurais da comunidade de Porteira de Santa Cruz, de Serra Dourada, no Oeste da Bahia, denunciaram, em visita ao presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa, deputado Marcelino Galo (PT), nesta quinta-feira (16), que estão sofrendo ameaças de mortes e perseguições em virtude do conflito agrário com grileiros na região. Os camponeses, que reivindicam a regularização de seu Território de Fecho de Pasto aonde vivem perto de 150 famílias, também denunciaram o que consideram “prisão arbitrária” de cinco trabalhadores do campo na terça-feira, 7 de março, feita por policiais militares, “a pedido de grileiros”. Galo garantiu apoio do colegiado aos trabalhadores e prometeu buscar esclarecimentos da Secretaria de Segurança Pública e da Casa Militar sobre as denúncias. “É preciso esclarecer urgentemente esse caso, assegurar a integridade das famílias dessa comunidade e imediata execução do Estado da ação discriminatória para separar as terras públicas e verificar a veracidade dos alegados documentos dos ditos proprietários. É inadmissível a criminalização de comunidades rurais e de movimentos sociais”, afirmou Marcelino Galo, ex-superintendente do INCRA na Bahia.

Os trabalhadores passaram o dia em Salvador para apresentar denuncias também a Casa Militar, ao Tribunal de Justiça, a Secretaria de Desenvolvimento Rural e a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social. Os agricultores relataram a Galo que os trabalhadores Sérgio Pereira de Jesus, Antônio de Jesus, José Pereira de Jesus, João José da Silva e Genildo dos Santos Silva entraram em luta corporal com pistoleiros, resultando no desarmamento dos mesmos, quando um poço tubular era perfurado em área de conflito agrário. De acordo com eles, a Polícia Militar foi acionada e chegou ao local de forma “violenta e arbitrária”, e que os policiais escolheram “de forma aleatória” os trabalhadores que foram presos, sem que houvesse indícios de sua participação em qualquer pratica ilícita. “Nem mandato judicial eles tinham”, afirmou um dos presentes, que pediu para ter sua identidade preservada temendo represálias. “Os grileiros visualizam nestas terras a possibilidade de enriquecimento fácil, rápido e ilegal, pois na maioria dos casos tratam-se de terras devolutas utilizadas tradicionalmente para solta de gado e outros animais ou prática de extrativismo”, argumenta a Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais, que acompanha o caso.

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