21/setembro/2015- Atualizado em 21/09/2015 19:38:30

Sexo além do Sexo: Performances Corporais e Pedagogias Eróticas

Foto: http://www.santopapo.com.br/

Foto: http://www.santopapo.com.br/

Em seu artigo: “Sexo além do sexo: performances corporais e pedagogias eróticas” o Dr. Edvaldo Couto aborda o tema das novas perspectivas da sexualidade sem sexo, e sem corpos, onde as sensações não exigem mais contatos nem relacionamentos. Seu referencial teórico é Breton (2002), que aborda essa temática.

A partir de uma pesquisa qualitativa, entrevistou cinco “garotos de programa” da cidade de Salvador. Foi constatado que esses garotos não vendem sexo convencional, mas uma nova modalidade de sexualidade, a partir do gozo pelo olhar de corpos jovens, malhados e sexualizados.

Assim, o autor buscou conhecer sobre os modos como cada um constrói o seu corpo e comercializa os jogos de experiências sexuais. O argumento defendido pelo autor é de que vivemos em uma época em que o sexo já está fora do sexo. Portanto, tanto a excitação, quanto o gozo não se dá mais pelo sexo propriamente dito, mas nas representações e negociações corporais que produzem outros estados e “pedagogias eróticas”.

No que diz respeito às construções corporais, a pesquisa apontou para o fato de que: os “meninos de programa”, entrevistados, investem fortemente nos seus corpos, que se constituem como seus instrumentos não só de trabalho como gozo pessoal, com as suas exibições narcísicas. Nessa perspectiva, todos praticam atividades físicas de musculação de forma intensa; consomem uma alimentação orientada para boa forma física; gostam e investem na moda de forma marcante; usam cosméticos e fazem cirurgias plásticas. Sendo assim, são fissurados por seus corpos a fim de obter uma forma física irresistível, assegura o autor.

O autor defende, ainda, a tese de que vivemos uma época em que se acelera o prazer diante das confusões de gênero, da diversidade sexual, da indiferença do sexo como gozo. Nessa linha raciocínio, as sexualidades não param de ser construídas. Nesse sentido, teria ocorrido um deslocamento do próprio sexo. Liberto da reprodução, o sexo tornou-se uma opção de prazer muito além do sexo. Nessa linha de raciocínio, o corpo íntimo e sexuado, vive cada vez mais a superexposição obsessiva, de várias maneiras e meios, ele se oferece despudoradamente aos olhares ávidos e consumistas.

Assim, para muita gente, aquele sexo tradicional que envolvia a penetração, mesmo protegida, já não interessa mais. Na sua visão prospera em toda parte uma espécie de indiferença sexual. Portanto, os garotos de programa vivem de programas, mas dizem que não são “garotos de programa”, não fazem programas, ao menos no sentido convencional, não vendem sexo, não transam e não gozam. Nenhum deles tem interesse no sexo, mas nas performances corporais desafiadoras. Assim, eles já explicam aos clientes, que consomem sexo além do sexo, explicando o tipo de programa que será desenvolvido.

O autor finaliza a artigo fazendo um questionamento se essas “pedagogias eróticas” são novas formas de libertação ou outras “misérias sexuais e afetivas” que prosperam. E apontando, para três perspectivas da sexualidade na atualidade, a saber: 1) O corpo não cessa de ser construído e reconstruído e todos buscam ocupar o pódio estético, onde o estatuto corporal é marcado pela beleza, juventude, vigor artificializado, mais sedutor e irresistível; 2) As performances sexuais são cada vez mais egocêntricas se deslocaram da felicidade dos sentidos. São meros jogos de exibição de si; 3) A felicidade individual parece fazer parte desse desabrochamento da performances eróticas hiper higienizada, destinada ao olhar e a si mesmo. Nesse sentido, o outro é um figurante cada vez mais dispensável, salvo apenas pela razão econômica.

Assim, o artigo traz uma temática interessante sobre a sexualidade e o culto ao corpo e novas formas de narcisismo e sexualidade na atualidade, com fins econômicos e de sobrevivência para alguns “garotos de programa” e misérias para outros que precisam pagar pelo gozo narcísico do outro, bem como e pelo seu próprio gozo. Portanto, vender o corpo, suas exibições não são fatos novos na historia da humanidade. Resta saber se essas novas “pedagogias” não são exigências de “impotências sexuais” a partir do uso exagerado das novas tecnologias para modificar o corpo, a fim de obter a boa forma física, do belo ou uma nova perspectiva sexual na sociedade do efêmero e do consumo, o que exigiria novas representações sexuais. Vale a leitura. Parabéns ao autor do artigo interessante e dedicado a essa temática instigante e inovadora.

carmo

Tags:

O conteúdo de cada comentário é de exclusiva responsabilidade do autor e mensagens ofensivas não serão postadas.

0 Comentários

Deixe o seu comentário!