Terror dos homens com mais de 50, crescimento da próstata tem agora alternativa com tratamento minimamente invasivo

Paulo Alves Levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro, passar aperto no trânsito engarrafado até encontrar um lugar para urinar ou até mesmo ter bloqueada a micção são alguns dos tormentos causados frente o crescimento exagerado da próstata. Conhecida como hiperplasia benigna da próstata, HPB, a doença atinge mais da metade dos homens […]

Em 04/11 de 2016

Paulo Alves

Levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro, passar aperto no trânsito engarrafado até encontrar um lugar para urinar ou até mesmo ter bloqueada a micção são alguns dos tormentos causados frente o crescimento exagerado da próstata. Conhecida como hiperplasia benigna da próstata, HPB, a doença atinge mais da metade dos homens acima de 50 anos e resulta nestes sintomas porque a glândula cresce e pressiona a uretra, impedindo a passagem regular da urina.

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A boa notícia aos portadores da doença é a nova alternativa terapêutica que acaba de ser aprovada pelo Conselho Federal de Medicina: a embolização da próstata, técnica desenvolvida por especialistas da Universidade de São Paulo e que libera o paciente no mesmo dia para voltar para casa. No Hospital das Clínicas da USP, os professores Francisco Carnevale e Alberto Antunes acabam de diplomar a primeira turma de médicos para aplicação da técnica em hospitais públicos e privados do PR, RS, PE e SP.

No mês que celebra a saúde do homem, a novidade é mais que um sinal de alívio para milhões de brasileiros que sofrem dos males resultantes desse crescimento exagerado da próstata. A embolização já é utilizada com eficácia na eliminação de miomas uterinos, aplicação de quimioterapia em tumores do fígado, entre outras aplicações. No caso da próstata, a técnica surge como alternativa à RTU (ressecção transuretral), cirurgia que promove a raspagem da uretra e alivia os sintomas consequentes da hiperplasia.

Na embolização, ao invés de retirar fragmentos de tecidos, um duto de diâmetro equivalente ao de um fio de cabelo é introduzido pela artéria e chega até a próstata, onde são depositadas microesferas que impedem a alimentação sanguínea de regiões especificas da glândula. Com isso a próstata diminui de tamanho e deixa de pressionar a uretra, liberando assim o caminho para a urina.

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Responsável pelo desenvolvimento da técnica, o radiologista Francisco Carnevale, diretor da Radiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da USP, iniciou os estudos sobre o novo procedimento há dez anos na Universidade de Harvard, trabalhando com animais. No HC – USP, ao lado do urologista Alberto Antunes e sob supervisão dos professores titulares de Radiologia Giovanni Guido Cerri e de Urologia Miguel Srougi, aplicou o procedimento em mais de 200 pacientes, com mais de 90% de sucesso, ou seja, remissão dos sintomas. Carnevale também coordenou um grupo de estudos que envolveu algumas das principais universidades norte-americanas e o FDA (Food and Drugs Administration), que com o sucesso do estudo agora trabalha para incluir o procedimento entre os indicados no tratamento da HPB. O professor Francisco Carnevale acaba de receber da Sociedade Europeia de Radiologia Intervencionista, em setembro, em Barcelona, o prêmio internacional de Excelência e Inovação na área.

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