Piscicultura é aposta de sucesso de agricultores familiares em projeto da Codevasf

No perímetro São Desidério/Barreiras-Sul, extremo Oeste baiano, tanques escavados ocupam 134 lotes; produção anual já é de 1,5 mil toneladas Ao lado de pés de coco, milho e mandioca, tanques escavados abrigam tambaquis, pintado e surubim entre outras onze espécies de pescado. O projeto público de irrigação São Desidério/Barreiras Sul, implantado e gerido pela Companhia […]

Em 30/11 de 2016

No perímetro São Desidério/Barreiras-Sul, extremo Oeste baiano, tanques escavados ocupam 134 lotes; produção anual já é de 1,5 mil toneladas

Piscicultura em São Desidério - BA | Foto: Divulgação / Codevasf
Piscicultura em São Desidério – BA | Foto: Divulgação / Codevasf

Ao lado de pés de coco, milho e mandioca, tanques escavados abrigam tambaquis, pintado e surubim entre outras onze espécies de pescado. O projeto público de irrigação São Desidério/Barreiras Sul, implantado e gerido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no Médio São Francisco baiano, está se tornando referência em diversificação da produção por agricultores familiares: já são 134 lotes ocupados com piscicultura, ou 121,9 hectares de um total de 1.718 hectares.

“O terreno do projeto, que tem boa quantidade de argila, é favorável à manutenção dos tanques, pois o consumo de água é baixo e com pequeno teor de infiltração. Terrenos com alto consumo de água são inviáveis para a piscicultura”, ensina Gentil Teixeira de Araújo, que também cultiva 1 mil pés de coco e é um dos pioneiros na aposta. A produção de peixes no São Desidério/Barreiras Sul já alcança 1.543 toneladas por ano, sendo que mais da metade da produção é das espécies tambacu e tambatinga, com 971.706 quilos por ano.

A reprodução do pirarucu, peixe originário da Amazônia, vem crescendo entre os produtores: já são 52.441 quilos produzidos ao ano. “Ele precisa de um clima adequado, e que é semelhante ao da nossa região. O piracuru se desenvolve bem sob temperaturas altas, acima de 20 graus”, conta Araújo. Conhecido como “bacalhau da Amazônia”, o pescado é o maior de água doce no Brasil e um dos maiores do mundo; ele se destaca pelo sabor e qualidade da carne, quase sem espinhas, e por isso mesmo alcança ótimo valor no mercado.

Ações de piscicultura | Foto: Cássio Moreira / Codevasf
Ações de piscicultura | Foto: Cássio Moreira / Codevasf

De acordo com o produtor, 60% do pescado produzido no projeto de irrigação é comercializado dentro do Oeste baiano; o restante tem sido vendido para consumidores de outros estados, como Piauí, Tocantins, Maranhão, Goiás e Pará.

“O projeto de irrigação São Desidério/Barreiras Sul tem potencial para se transformar em um polo de produção piscícola pois apresenta os recursos naturais necessários, como clima, potencial hídrico e solo favorável ao desenvolvimento e reprodução de dezenas de espécies de peixes”, afirma Walkyria Feitosa, técnica da Codevasf no escritório de Barreiras, que é vinculado à 2ª Superintendência Regional da Companhia, sediada em Bom Jesus da Lapa. “A atividade está aumentando a renda dos agricultores e consequentemente melhorando sua qualidade de vida”, observa.

Entre as espécies cultivadas no projeto, destaca-se ainda em volume o tambaqui, com produção registrada de 416.445 quilos por ano; pintado e surubim (59.611 quilos anuais, juntos) e carpa (43.187 quilos por ano). Pirapitinga, carpa capim, carpa cabeça grande, pacu, carpa húngara, mantrixã, piau e curimatã são outras espécies encontradas no projeto.

A tilápia deverá ser uma nova aposta entre os piscicultores do São Desidério/Barreiras Sul: por ser carne saudável, com pouca gordura e nenhuma espinha, o pescado tem boa aceitação entre as crianças e vem entrando cada vez mais no cardápio da merenda escolar.

Ações de piscicultura | Foto: Cássio Moreira / Codevasf
Ações de piscicultura | Foto: Cássio Moreira / Codevasf

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