O preço de uma vida

Caroline Ayane dos S. Regis No fim de 2015, enquanto uma onda de calor pairava sobre Barreiras, um homem era brutalmente assassinado em sua própria residência, e seu corpo, arrastado pelas ruas desertas da Vila Brasil em direção a uma vala e ao esquecimento. Casos como esse, em que uma vida é tirada tão subitamente […]

Em 17/10 de 2016

Caroline Ayane dos S. Regis

Caroline Ayane dos S. Regis é aluna do 9ºB da Escola Monteiro Lobato | Foto: Arquivo Pessoal

Caroline Ayane dos S. Regis é aluna do 9ºB da Escola Monteiro Lobato | Foto: Arquivo Pessoal

No fim de 2015, enquanto uma onda de calor pairava sobre Barreiras, um homem era brutalmente assassinado em sua própria residência, e seu corpo, arrastado pelas ruas desertas da Vila Brasil em direção a uma vala e ao esquecimento.

Casos como esse, em que uma vida é tirada tão subitamente e com tamanha frieza, tendem a crescer mais no mundo atual, seja em cidades grandes ou pequenas. O fato é que, em nossa realidade, a violência é encarada como uma via de mão única. Ao olhar de muitos, quando um indivíduo decide que o homicídio é a melhor resposta, tem-se, então, um indivíduo perdido. “Os fins justificam os meios”, é o que os motiva a puxar o gatilho mais uma vez.

São tantos homens, jovens e até crianças que hoje empunham uma arma apontada a cidadãos inocentes, que a situação tornou-se assustadoramente habitual. Veem-se as ruas manchadas de sangue e o terror alastrando-se como uma serpente; o desespero das famílias unindo-se em algo coletivo, mas não como forma de apoio. Pelo contrário, trata-se da mais plena revolta. São tantos pais de família, homens de bem que ganham seu sustento honestamente, que são – metaforicamente falando – arrastados a uma vala profunda, tomados de extremo desgosto ao ver todos os seus bens sendo tirados de si.

A violência gera reflexões sobre a valorização, e como o mundo de hoje virou de cabeça para baixo. As pessoas passam a viver em verdadeiros presídios, trancadas em suas casas, como se os equipamentos de segurança fossem uma garantia de conforto. Enquanto isso, os verdadeiros presidiários estão do lado de fora, à espreita, tirando vidas aos montes, como se fossem apenas vidas.

Até quando a sociedade continuará invertendo os papéis e vivendo no limiar da insanidade?

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