Não me deixe morrer

Paulo Stucchi Sei que todos passam por dificuldades, mas não carrego solitário o sofrimento do mundo; sempre estive pronto para ser usado livremente como remédio para diversos males, incluindo, o da solidão. Por isso, clamo: não me deixe morrer. Nunca estive entre as preferências nem no topo dos desejos, mas sempre estive disponível entregando-me facilmente […]

Em 13/12 de 2018

Paulo Stucchi

Paulo Stucchi, escritor, redator, jornalista, editor em jornais impressos e revistas. Professor e coordenador de curso de Comunicação. Atualmente, divide seu tempo entre o trabalho como assessor de imprensa e sua paixão pela Literatura, História e Psicanálise | Foto: Acervo pessoal

Sei que todos passam por dificuldades, mas não carrego solitário o sofrimento do mundo; sempre estive pronto para ser usado livremente como remédio para diversos males, incluindo, o da solidão.

Por isso, clamo: não me deixe morrer.

Nunca estive entre as preferências nem no topo dos desejos, mas sempre estive disponível entregando-me facilmente a quem optou por me decifrar e explorar.

Por isso, clamo: não me deixe morrer.

Às vezes sou difícil. Muitas outras, incompreendido. Porém, nunca me fechei a dar uma segunda chance àqueles que desejaram caminhar comigo.

Por isso, clamo: não me deixe morrer.

Nunca fui protagonista, somente coadjuvante, na vida de muitos. Mas, mesmo num cantinho escondido da bagagem, estive lá, uma companhia solitária e muda, mas sempre pronta a servir de interlocutor para seus maiores devaneios.

Por isso, clamo: não me deixe morrer.

Muitos sonharam me tendo em mãos, mas nunca efetivamente estiveram ao meu lado; mas não guardo rancor. Outros amaram, entregaram-se ao sexo, ao gozo, viajaram pelo exótico e insólito, sentiram medo, pavor, e, ainda assim, me tratam com carinho.

Por isso, clamo: não me deixe morrer.

Não sou um, mas muitos. Não tenho dono, mas sou de todos. Sou tão antigo quanto o desejo da humanidade de eternizar seus sonhos, e, se me for, irá comigo uma porção maravilhosa de tudo o que faz de você diferente, especial.

Não sou o fim, mas o meio. O meio pelo qual histórias são criadas e contadas; almas, despidas e penetradas. Nunca fui amante, mas já estive ao seu lado potencializando noções sobre o amor.

Lamento por quem me despreza, mas nunca cederei ao desprezo, dando a todos os que desejarem me possuir, uma segunda chance.

Sou o livro.

E, clamo: por favor, não me deixe morrer.

1 comentário

Vania
Comentou em 13/12/18

Parabéns pelo poema.
Sempre fui apaixonada por livros e passo essa paixão para os meus filhos e o meu neto, mas certa vez no aniversário da filha de uma grande amiga fui severamente criticada por presentear uma adolescente com um livro que para mim foi um curso intensivo de filosofia:
“ O Mundo de Sofia”

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