Fundação Solidaridad lança o desafio para que o Oeste se torne uma região de originação sustentável

Nádia Borges | Araticum A proposta de fazer do Oeste baiano uma região capaz de produzir mais, melhor, com respeito à sustentabilidade e a melhoria das condições de vida das populações, facilitando a entrada dos produtos agrícolas no mercado europeu foi lançada pela Fundação. O assunto promoveu ampla discussão entre os participantes da a 10ª […]

Em 04/06 de 2014

Nádia Borges | Araticum

Harry van der Vliet durante explanação
Harry van der Vliet durante explanação

A proposta de fazer do Oeste baiano uma região capaz de produzir mais, melhor, com respeito à sustentabilidade e a melhoria das condições de vida das populações, facilitando a entrada dos produtos agrícolas no mercado europeu foi lançada pela Fundação. O assunto promoveu ampla discussão entre os participantes da a 10ª edição da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, Bahia.

A Fundação Solidaridad foi uma das idealizadoras do Fórum de Sustentabilidade, realizado durante a Bahia Farm Show 2014, maior feira de tecnologia agrícola e negócios no Norte/Nordeste Brasileiro, em Luís Eduardo Magalhães, município do Oeste baiano. O representante da Fundação no Brasil, Harry van der Vliet apresentou a proposta da instituição que atua em 50 países com foco no combate a pobreza e na conservação ambiental, por meio da inclusão social. O porquê e como tornar o Oeste baiano uma região de originação sustentável foi pontuado por van der Vliet.

“O mercado europeu é uma oportunidade interessante de negócios, porém, se apoia em exigências baseadas na sustentabilidade. Eles (os importadores) precisam ter certeza de que os produtos que compram não possuem originação duvidosa que coloquem em risco a imagem de seus empreendimentos, além de que muitos importadores incorporaram princípios de sustentabilidade na gestão dos seus negócios”, diz Harry. Para ele, os critérios usados pelo modelo europeu de produção por meio do uso inteligente e sustentável da água, do solo e dos insumos precisam ser incorporados também pelos agricultores e todo agronegócio do Oeste.

Para o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Júlio Cézar Busato, entidade realizadora da Bahia Farm Show, iniciativas como a proposta no fórum são a prova de que as mudanças no modo de pensar e agir por parte das pessoas que vivem o dia a dia do setor estão ocorrendo. Formado em agronomia em 1987, Busato fez questão de ressaltar o que mudou de lá para cá. “Naquela época o tripé que norteava a agricultura era terra, trabalho e capital. Hoje cinco pontos são considerados: terra, trabalho, capital, função social e responsabilidade ambiental”, disse.

O representante do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães – entidade parceira da Fudação Solidaridad, Rony Reimann ressaltou o trabalho que está sendo desenvolvido, para adequação e certificação dos produtores do Oeste baiano para as exigências externas.

“O que estamos fazendo é mostrar aos nossos produtores os caminhos a seguir, com planejamento, acompanhamento e cumprimento das legislações ambientais e trabalhistas”, destacou.

Conectar e adequar a cadeia produtiva do Oeste baiano às demandas da União Europeia é o grande desafio proposto pela Fundação Solidaridad. Por meio de apoio e capacitação, a instituição apresenta estratégias para inserir o Oeste no conceito de região de originação sustentável e criação de ambientes favoráveis aos negócios. “Em um momento inicial propomos estabelecer uma plataforma com todos os envolvidos para fomentar o intercâmbio e esclarecer aos europeus que não somos bandidos”, explica Harry, referindo-se ao pré-conceito cristalizado de que no Brasil as práticas errôneas na agricultura se sobrepõem às corretas.

Dentre as intervenções propostas para os agricultores do Oeste se destacam a adoção de boas práticas agrícolas e de pecuária porteira adentro, com um trabalho de melhorias contínuas. Da porteira afora, a criação de corredores ecológicos e sociais, utilizando, por exemplo, mão de obra, produtos e serviços locais. Adequação às conformidades legais também compõe o rol de ferramentas elaboradas pela Fundação Solidaridad, através de sua plataforma Horizonte Rural.

A ideia de Van der Vliet é que as discussões sobre a inserção do Oeste como região de originação sustentável sejam estendidas para um fórum com a participação dos diversos segmentos ligados ao agronegócio. “É imprescindível fortalecer o Oeste como fornecedor mundial de produtos agropecuários para o mercado europeu. Garantir aos nossos agricultores produzir mais e de maneira ainda mais rentável conservando o meio ambiente e os recursos naturais para as futuras gerações”.

Sobre a Fundação Solidaridad – Há mais de 40 anos a Fundação Solidaridad desenvolve parcerias e soluções inovadoras para apoiar agricultores e pecuaristas a produzir mais e melhor, promovendo a transição para uma produção agropecuária mais eficiente em insumos e o uso racional da terra. É uma rede internacional holandesa com nove centros regionais e atuação em mais de 50 países desenvolvendo cadeias de produção sustentáveis em parcerias com produtores, trades, empresas e consumidores. Desde 2011 está no Brasil, com escritório instalado em São Paulo.

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