Cada vez mais comum, a obesidade aumenta risco para surgimento de câncer

Moura Leite Netto Uma das principais causas de câncer no Brasil, a obesidade está enquadrada como potencialmente modificável pela sociedade. Mais da metade dos brasileiros está acima do peso. Cerca de 4 entre 10 mortes por câncer no país seriam evitadas por meio de mudanças no estilo de vida. Determinante fator de risco para tumores […]

Em 17/10 de 2017

Moura Leite Netto

Uma das principais causas de câncer no Brasil, a obesidade está enquadrada como potencialmente modificável pela sociedade. Mais da metade dos brasileiros está acima do peso. Cerca de 4 entre 10 mortes por câncer no país seriam evitadas por meio de mudanças no estilo de vida. Determinante fator de risco para tumores de endométrio, a obesidade está associada com mais de uma dezena de outros tipos de câncer

Imagem meramente ilustrativa | Foto: Reprodução http://www.draraphaela.com.br

Em todo o mundo, segundo a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC), da Organização Mundial de Saúde, 640 milhões de adultos e 110 milhões de crianças e adolescentes são obesos. Em estudo publicado no New England Journal of Medicine – o IARC afirma que globalmente hoje há mais pessoas com sobrepeso do que abaixo do peso ideal. E esse cenário reflete diretamente na incidência de câncer, inclusive no Brasil.

Em artigo publicado na revista científica PLOS One, o IARC, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e instituições brasileiras, dentre elas o A.C.Camargo Cancer Center, trouxeram a projeção de casos de câncer no Brasil que são relacionados aos chamados fatores modificáveis por meio de estilo de vida mais saudável e evitando agentes ambientais e ocupacionais e também infecções – Os autores afirmam que cerca de 4 entre 10 mortes por câncer no país seriam evitadas por meio de mudanças no estilo de vida.

O trabalho destaca que o sobrepeso e a obesidade mórbida surgem como uma das principais causas de tumores, estando diretamente relacionados com câncer de endométrio, colorretal, esôfago (adenocarcinanoma), mama (na pós-menopausa), rim, dentre outros. Ao todo, segundo a literatura médica, a obesidade traz associação direta com mais de uma dezena de tipos de câncer. Um artigo publicado no Lancet, que se baseou em uma coorte de mais de 5 milhões de adultos do Reino Unido, destaca que o elevado nível de massa corpórea é fator de risco para 17 subtipos da doença.

Voltando ao panorama nacional, de acordo com o relatório VIGITEL 2017, do Ministério da Saúde, a maioria dos brasileiros adultos (53,8%) com mais de 18 anos, está acima do peso ideal, ou seja, com um índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 25. O levantamento do IBGE aponta que 18,9% dos indivíduos no país estão obesos, com IMC acima de 30, um crescimento de 60% na década.

CÂNCER DE ENDOMÉTRIO – A relação mais estreita entre obesidade e câncer se dá com os tumores de endométrio, que é o câncer mais comum nos países desenvolvidos e o sétimo mais incidente em mulheres em todo o mundo. O risco aumentado neste órgão (que é a camada interna que reveste o útero), ocorre porque o tecido adiposo (mais presente nos obesos) interfere na produção normal de estrogênio, que é feita pelos ovários. O tecido adiposo tem o potencial de alterar outros hormônios (os chamados androgênios) para os estrogênios. Desta forma, ter mais tecido adiposo pode aumentar os níveis de estrogênio da mulher, o que amplia o risco de desenvolvimento de câncer de endométrio. De acordo com a American Cancer Society, em comparação com as mulheres que mantêm um peso saudável, o câncer de endométrio é duas vezes mais comum em mulheres com sobrepeso e mais do que três vezes mais comum em mulheres obesas.

O cirurgião oncologista e diretor do Departamento de Ginecologia do A.C.Camargo, Glauco Baiocchi Neto, explica como ocorre o processo hormonal que pode implicar no surgimento da doença. “O estrogênio, hormônio relacionado ao desenvolvimento das características femininas, estimula o crescimento do endométrio, enquanto outro hormônio, a progesterona, atua como contraponto a esse estímulo. Quando somente o estrogênio está muito elevado, há maior o risco de crescimento anormal do endométrio e, consequentemente, de desenvolvimento do câncer. Mesmo na menopausa, no organismo da mulher obesa há maior produção de estrogênio e menor ação do hormônio progesterona”, detalha.

Ainda de acordo com Glauco Baiocchi, o câncer de endométrio é, em praticamente 95% dos casos, sintomático. Um sangramento na menopausa ou grandes alterações no ciclo menstrual, geralmente a partir dos 50 anos, são os principais alertas. “Nessas situações, deve-se procurar a avaliação de um especialista que irá solicitar exames para descobrir qual a verdadeira causa desse sangramento”, informa. “O ultrassom transvaginal, por exemplo, pode verificar a espessura do endométrio. Se estiver muito grosso, pode aumentar as suspeitas de uma lesão pré-maligna ou até mesmo de câncer”, acrescenta.

O especialista acrescenta que o sangramento começa a surgir em estágio inicial do tumor, facilitando o diagnóstico precoce e melhor prognóstico para a paciente. Quando diagnosticado em fase inicial de seu desenvolvimento, o sucesso no tratamento de pacientes com câncer de endométrio é acima 90%.

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