Deputada destaca luta de Giocondo Dias em sessão especial

Por: Angela Natsumi Na tarde desta quarta-feira (20), a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) realizou, com presença do governador Jaques Wagner, sessão especial em comemoração ao centenário de Giocondo Dias e a primeira de 14 devoluções simbólicas de mandatos cassados durante a ditadura militar, numa iniciativa dos deputados Marcelino Galo (PT) e Fabrício Falcão (PCdoB). […]

Em 20/11 de 2013

Por: Angela Natsumi

01Na tarde desta quarta-feira (20), a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) realizou, com presença do governador Jaques Wagner, sessão especial em comemoração ao centenário de Giocondo Dias e a primeira de 14 devoluções simbólicas de mandatos cassados durante a ditadura militar, numa iniciativa dos deputados Marcelino Galo (PT) e Fabrício Falcão (PCdoB).

A deputada Kelly Maglhães (PCdoB), líder da bancada comunista na AL-BA, fez discurso, representando o deputado Fabrício Falcão, e destacou a luta incansável de Gioncondo Dias pela emancipação humana e em defesa da democracia, da paz e do socialismo, emocionando familiares e amigos.

Giocondo, nascido na cidade de Salvador, em 18 de novembro de 1913, começou a trabalhar muito cedo em virtude do falecimento do seu pai, Antonio Alves Dias. A infância muito atribulada, com a luta pelo sustento da família, não lhe permitiu concluir sequer o curso primário, embora tenha se matriculado por diversas vezes.

Cabo do Exército, membro da Aliança Nacional Libertadora (ANL), comandante do governo provisório e revolucionário de quatro dias em Natal (RN), em 1945, e, a partir da cisão ocorrida em 1962, dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Kelly lembrou o último combate do comunista, contra um tumor no cérebro. Chegou a fazer cirurgia, em Moscou, em janeiro de 1987, mas, após ter retornado ao Brasil, faleceu no dia 7 de setembro, do mesmo ano. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. “Morreu um herói, morreu o Cabo Vermelho, que nos legou um patrimônio de 52 anos de militância no Partido Comunista do Brasil e no Partido Comunista Brasileiro”, disse.

Para finalizar, a deputada leu texto escrito por outro comunista baiano, Jorge Amado, sobre Giocondo, no livro Bahia de Todos os Santos.

“Durante um tempo, vai longe, quando se decidiam os destinos da humanidade, cruzamos juntos, num vai-e-vem constante, as ruas da cidade da Bahia e realizamos uma saga inesquecível. Nossa luta era a da liberdade contra a escravidão nazista, nosso sonho o mundo farto, nossa bandeira a da fraternidade, ou seja, da anistia. Num dos meus romances, no Tenda dos Milagres, eu o coloquei numa tribuna de comício durante a guerra, falando em nome dos trabalhadores – em muitas tribunas ergueu a voz – na praça, no sindicato, na Câmara de Deputados, nas reuniões abertas e fechadas, mas ergue a voz apenas o necessário para argumentar e convencer, jamais para impor e violentar a opinião alheia. Nasceu para a convivência e por isso mesmo em nenhum momento suportou o dogma nem se curvou aos ídolos. Manteve-se íntegro, nem mesmo o mando o corrompeu por jamais ter desejado o poder, querendo apenas servir. Tão decente quanto ele certamente existem outros; mais decente e leal, impossível.

Baiano com as virtudes todas; o riso fácil, a discrição inata e a capacidade de sonhar com a aurora. Nunca será amargo quem luta por seu país e seu povo com ambição de concorrer na medida de suas forças para o bem comum. De quando em vez leio jornais que o procuram, com ódio mortal, policiais e inimigos da paz e da liberdade. Onde andará Giocondo Dias, dito Nenen por sua mãe? Não sei mas vos afirmo que, esteja onde estiver, estará trabalhando para que o amanhã dos brasileiros seja mais belo.”

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