ALBA debate alternativas contra Helicoverpa Armígera

Por: Lívia Lemos/ DRT 3461 Audiência Pública debate na ALBA alternativas para combater a praga que está dizimando culturas no País Deputados baianos elaboram moção para solicitar providências urgentes no combate à lagarta Helicoverpa Armígera Convidado para relatar a situação e providencias que estão sendo adotadas para combater a praga Helicoverpa Armigera, lagarta que está […]

Em 09/10 de 2013

Por: Lívia Lemos/ DRT 3461

Audiência Pública debate na ALBA alternativas para combater a praga que está dizimando culturas no País
Deputados baianos elaboram moção para solicitar providências urgentes no combate à lagarta Helicoverpa Armígera

teste-internoConvidado para relatar a situação e providencias que estão sendo adotadas para combater a praga Helicoverpa Armigera, lagarta que está dizimando culturas em todo o Brasil, o secretário da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, compareceu, na manhã de terça-feira (8), na Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa da Bahia, para uma audiência pública. “A lagarta é uma praga exótica, que apareceu estranhamento em cinco estados diferentes do País ao mesmo tempo, atacando diferentes culturas como tomate, algodão, soja, feijão, mamona, café e está dizimando também pastagens, hortaliças e frutas”, informou o secretário, elogiando a iniciativa da Assembléia Legislativa, destacando que “é um importante apoio no sentido de fazer com que o governo federal autorize o registro emergencial do defensivo Benzoato de Emamectina, único capaz de controlar a praga de maneira eficaz”.

Segundo Salles, A Helicoverpa Armigera não existia no Brasil, tendo o seu aparecimento confirmado em lavouras do Oeste baiano em 2012. O Brasil não possui nenhum produto capaz de combater a lagarta e, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), já causou um prejuízo superior a 1,5 bilhão em 2012. O único defensivo agrícola, que é utilizado em 70 países, inclusive pela União Européia, a mais rigorosa de todas na regulação de defensivos, é o Benzoato de Emamectina, que não possui registro no Brasil e, por vias normais, pode demorar até cinco anos para ser aceito, pois depende da aprovação do Ministério da Agricultura (Mapa), do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Ibama e do Ministério da Saúde, via Anvisa.

O secretário Eduardo Salles explicou todos os passos que foram dados desde a descoberta da praga, incluindo encontros com o governo federal, que autorizou a importação do Benzoato de Emamectina, apesar de não ter feito o registro do produto, ainda que provisório, até a última reunião com o Ministério Público, que se posicionou contra a aplicação, mesmo que em projeto piloto em dez fazendas do Oeste, monitorado e protegido.

“Não poderíamos ficar indiferentes a este problema que não é apenas da Bahia, mas do Brasil. A agricultura é uma atividade que tem importante participação na composição do PIB, portanto é preciso que haja agilidade nos procedimentos para que o Benzoato de Emamectina seja registrado”, destacou o presidente da Comissão, deputado Luiz Augusto, informando que fará uma moção com a assinatura de todos os deputados da bancada baiana, para ser encaminhada ao Congresso e ao Senado, como forma pressionar agilidade na resolução do problema.

Programa Fitossanitário
O diretor técnico da Aiba, Antônio Grespan, também convidado a participar da discussão, informou que após retornar de uma viagem à Austrália, país que desde a década de 90 aprendeu a conviver com esta praga, trouxe de lá as técnicas usadas no controle da mesma, e pretende disseminar estas tecnologias para os produtores. Segundo Grespan, já existe um Programa Fitossanitário de combate à praga, elaborado desde a safra 2011/2012, orientado pelos melhores entomologistas (profissionais que estudam insetos) do Brasil e pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), mas é preciso recursos para implementá-lo, na ordem de seis milhões e seiscentos mil reais.

“O Programa consiste em um conjunto de medidas técnicas, que inclui a liberação do Benzoato de Emamectina; o encurtamento do calendário de plantio, para que a praga tenha menos ciclos de vida; a realização do vazio sanitário (período sem cultura); o combate biológico (inimigos naturais como vírus, bactérias e fungos); dentre outras ações”, explicou o diretor, acrescentando que através de fundos e recursos oriundos de programas, seria possível investir no projeto.
Antônio Grespan ainda explica que a agricultura desenvolvida em países de clima tropical, como é o caso do Brasil, é propícia ao aparecimento de muitas pragas, diferente de culturas desenvolvidas na Europa e Estados Unidos, onde as pragas cessam durante o período frio. “O combate biológico pode ser muito eficaz em lugares de clima tropical, sem contar que a quantidade de agrotóxicos utilizados é grande e acaba tornando as pragas cada vez mais resistentes”, acrescentou.

O presidente da Aiba, Júlio Busato destacou e elogiou a atuação do Governo da Bahia na busca de soluções, mas acredita que uma mudança da legislação que versa sobre o uso de agrotóxicos, elaborada em 1934, seria uma das maneiras de solucionar diversos impasses com relação ao uso de defensivos agrícolas. Ele ainda defende o uso de produtos genéricos, com custos mais baixos, o que tornaria também o preço dos alimentos mais acessível.Busato disse ainda que “das 100 piores pragas do mundo, a Helicoverpa Armigera é uma das primeiras e o Brasil não está preparado para combatê-la”.

“Não é possível que um defensivo utilizado em diversos países do mundo não possa ser utilizado aqui no Brasil. Realizamos diversos encontros com especialistas, como o toxicologista Flávio Zambrone, que mostrou estudo que aponta pouco ou quase nenhum risco no uso do produto, mas até agora estamos lutando”, disse Busato.

Participaram também da audiência, a representante do Instituto de Meio Ambiente da Bahia (Inema), Lúcia de Fátima; o diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Adab, Armando Sá; as deputadas Neusa Cadore e Kelly Magalhães; os deputados Cacá Leão, Mario Negromonte Junior, Marquinhos Viana e o vice-presidente da Comissão, Hebert Barbosa.

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