Cargill é acusada de ignorar investimentos de agricultores no meio ambiente

Produtores rurais do Oeste da Bahia afirmam que a Cargill “ignora” investimentos na região em preservação do meio ambiente. A empresa diz que não apoia a extensão da moratória para o Cerrado

Em 27/06 de 2019

Com informações do Canal Rural | Imagem destaque: Unidade da Cargill em Barreiras, no oeste da Bahia | Foto: Mário Bittencourt

Produtores rurais do oeste da Bahia divulgaram uma carta aberta em que afirmam que a empresa Cargill “ignora” investimentos que o setor produtivo tem realizado nos últimos anos na região em preservação do meio ambiente. A carta foi uma reação ao anúncio da multinacional, no dia 13 de junho, de um investimento de US$ 30 milhões para encontrar soluções para proteger florestas e vegetação nativa na cadeia produtiva de soja no Brasil.

A diretora de Sustentabilidade da Cargill, Ruth Kimmelshue, disse em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo” que o foco, no Brasil, é o Cerrado e o Matopiba. Segundo ela, o compromisso do setor agora é eliminar o desmatamento na cadeia produtiva da soja até 2030.

Junto com o financiamento, a empresa informou, segundo o “Estadão”, que está implementando um plano de ação para aumentar a transparência e avançar na adoção da política contra o desmatamento na cadeia de soja. Entre as medidas, está uma avaliação de risco abrangente de fornecedores diretos e indiretos. De acordo com a empresa, o foco é trabalhar para a transformação de longo prazo “para que florestas e agricultores possam coexistir”.

Divulgada no dia (18) no site da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a carta aberta afirma que o anúncio da Cargil “ignora o fato de que as entidades do oeste da Bahia investiram mais de R$ 15 milhões nos últimos anos em projetos que buscam a proteção do meio ambiente, notadamente, do bioma Cerrado”. “Diante dos muitos projetos e com resultados diretos na preservação ambiental, entendemos que a Cargill deveria tomar conhecimento dos trabalhos já existentes sobre o tema ambiental executados no Oeste da Bahia”, afirma a carta.

Para os produtores, a Cargill “poderia disponibilizar os recursos prometidos para se somar aos esforços feitos pelos produtores baianos na recuperação de nascentes e preservação dos rios das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e Reservas Legais”.

Resposta da Cargill

Ao comentar sobre a carta aberta, a Cargill declarou que “o desmatamento na cadeia de soja no Brasil é um tema complexo, que necessita de uma solução que proteja o planeta e, ao mesmo tempo, seja economicamente viável para os produtores rurais”. Diz ainda que a “criação deste fundo de U$S 30 milhões não muda o posicionamento da empresa em não apoiar a criação de uma ‘Moratória do Cerrado’ e de continuar participando e contribuindo para a discussão e transformação setorial envolvendo diversos atores por meio do Grupo de Trabalho do Cerrado (GTC)”.

A empresa, por sua vez, afirma que “não apoiamos a extensão da moratória para o Cerrado, pois entendemos que este não é o instrumento adequado para solucionar a questão. A moratória não endereça os desafios sociais, econômicos e, em última análise, ambientais e é muito provável que cause consequências – mesmo que não intencionais – para os agricultores e comunidades que dependem da agricultura para sua subsistência”.

“Pedir que as empresas excluam produtores das suas cadeias não resolve o problema — simplesmente transfere para outras empresas ou atividades”, afirma o comunicado da Cargill, que informou que está “chamando os líderes da indústria, clientes, ONGs, startups e outros para se juntarem à empresa na busca de soluções de longo prazo”.

Ao mesmo tempo, a empresa frisa que “continua executando medidas de controle para criar uma cadeia produtiva de soja mais sustentável e sua política reafirma o compromisso de proteger as florestas e vegetações nativas, enquanto permite que os produtores prosperem”.

1 comentário

ITAPUAN CUNHA
Comentou em 03/07/19

Acho que desentendimentos entre a CARGIL e a AIBA, deveriam convergir para uma união de esforços das partes em conflito.
A Boa política, pois, poderá levá-los a um caminho que, enfim, resolva as dissonâncias ora expostas.
Como está, certamente teremos um retrocesso e isto não convém a ninguém.

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