Sempre será difícil

Entender-se o que as pessoas pensam ou realmente querem. Às vezes dizem o que não pensam e muito menos o que realmente querem. E neste dizer impensado, jogam suas vontades fora. Não que seja feito por falta de inteligência, mas quase sempre por insegurança. O grande problema é de que sempre que quebramos uma rotina […]

Em 17/12 de 2013

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Entender-se o que as pessoas pensam ou realmente querem.
Às vezes dizem o que não pensam e muito menos o que realmente querem.
E neste dizer impensado, jogam suas vontades fora.
Não que seja feito por falta de inteligência, mas quase sempre por insegurança.
O grande problema é de que sempre que quebramos uma rotina que nos fazia mal, não sabemos o que fazer com o novo que surge.
E assim, da mesma maneira que queremos, dispensamos.
Queremos guardá-lo, mas o que os outros pensam nos faz jogar lixo.
No incrível ato de duvidar de si mesmo, seguimos as dúvidas dos outros.
E na maioria das vezes o erro de antes faz temer um novo.
Fortalecida fica a imagem de antes.
Um novo brilho deve ser ilusão.
E se antes se desacreditou, agora então nem pensar.
Muito menos querer.
Para que se tudo será como antes.
E o querer perde assim sua força para deixa prá lá.
Sempre que se pensa assim, vira-se uma página, risca-se uma linha, arranca-se a folha, e resolvido está.
Na verdade nós não somos capazes de entender que ao olharmos o espelho, a imagem atrás de nós sempre é diferente.
A nossa pode até mudar de manhã para manhã.
Mas a que reflete a moldura da nossa não.
E é justamente essa que deixamos de ver.
Esta que deixamos de admirar.
E nesta que deixamos de acreditar.
Simplesmente porque estamos tão acostumados a ver sempre a mesma e antiga decepcionante, que não nos damos a chance de trocar a moldura.
Nela quem sabe teríamos até mesmo um sorriso mais aberto.
Que nos abra as portas do amanhã.
Da vida.
Do ser.
Do viver.
Mas também para que, não?
Ensinaram-nos a pensar que nada novo vale a pena.
Então para que pensar em querer.
Fomos condicionados por bom tempo a não pensar.
A não ver.
Não sentir.
Não querer.
Não viver.
Não dizer.
Não fazer.
Seria carimbado como rebeldia agir ao contrário.
Ou quem sabe até mesmo demência.
Na verdade para pensar, ver, sentir, viver, dizer, fazer, basta querer.
Será sempre difícil entender-se o que as pessoas pensam ou realmente querem, enquanto não forem capazes de realmente pensar ou querer.
Pense.
Queira.
O tempo passa.
Rápido.

Antonio Jorge Rettenmaier,
Escritor, Cronista e Palestrante. Esta coluna está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior. Contatos com o autor, ajrs010@gmail.com.

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