O murmúrio da natureza

Tem muito a nos ensinar. Se nos colocarmos debaixo de um vasto pomar e ficarmos sentindo o farfalhar das folhas, ouviremos conselhos, alertas e até mesmo reprimendas. A nos ensinar ainda que podemos e até devemos sim descartar folhas velhas e antiga, amarelada pelo tempo e cansaço da sobrevida. Mas não as deixando ir muito […]

Em 08/10 de 2013

teste-internoTem muito a nos ensinar. Se nos colocarmos debaixo de um vasto pomar e ficarmos sentindo o farfalhar das folhas, ouviremos conselhos, alertas e até mesmo reprimendas. A nos ensinar ainda que podemos e até devemos sim descartar folhas velhas e antiga, amarelada pelo tempo e cansaço da sobrevida. Mas não as deixando ir muito longe mesmo que sopre uma brisa mais forte. Assim como as árvores que descartam as amareladas, as cansadas, devemos deixá-las sempre em volta de nossas raízes. Somente assim estarão do passado trazendo nosso futuro. Porque as mesmas folhas que mesmo não trazendo frutos na temporada passada, servirão de acalanto e reserva de forças para nossos frutos futuros.

Ainda podemos ter a certeza de que se ouvirmos com atenção o farfalhar e o burburinho que ele causa entre as folhas, ouviremos mil e uma vozes. Com certeza teremos como sempre medo do que possam dizer. Ou até de que outros as possam ouvir. Trazendo incertezas e temores, gerando desconfiança. Porque nós sempre estamos esperando descobrir segredos dos outros.

Os nossos, pensamos conhecer de sobra. Mas se em algum momento compararmos os dois, será que sairemos em vantagem? Nos pensamentos diários sobre a falta de confiança e aceitação, podemos até mesmo criar imagens e fatos que jamais existiram. Ou até mesmo por alguma imagem entendermos um fato irreal. Assim sendo, nada melhor do que ouvir o farfalhar das folhas na natureza.

Ouvir suas vozes, cantos e murmúrios. E entender o que nos dizem. E saibamos reconhecer que nem sempre as mais velhas estarão com os melhores conselhos. E nem as mais novas. Porque é claro que falar, dizer, todas farão. Mas saber ouvir o que cada uma diz, é uma inteligência só nossa. No amanhecer do dia recados para o bem viver, e no entardecer alertas para os perigos da noite da solidão. E só saberemos nos reconhecer, se soubermos de nós. E tudo.

Antonio Jorge Rettenmaier,
escritor, cronista e palestrante.
Esta coluna está em mais de 90 jornais impressos e eletrônicos do Brasil e Exterior. Contatos ajrs010@gmail.com

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