O medo de ter coragem

Faz-nos errar. E jamais acertar. E o errar se torna desumano. Conosco e com os outros. Ao faltar coragem pelo medo jogamos fora mais do que um simples dedo. Jogamos a mão inteira. E com ela se vão os anéis. Que uniram, juntaram, deram força e compreensão. Que deixamos de manter. Por medo de ter […]

Em 22/10 de 2013

01-testeFaz-nos errar. E jamais acertar. E o errar se torna desumano. Conosco e com os outros. Ao faltar coragem pelo medo jogamos fora mais do que um simples dedo. Jogamos a mão inteira. E com ela se vão os anéis. Que uniram, juntaram, deram força e compreensão. Que deixamos de manter. Por medo de ter coragem. Ele nos faz desacreditar mais do que nos outros, em nós mesmos. Porque nos sentimos com a força de julgar. Mas não nos encontrar. Pelo medo de ter coragem escondemos nosso errar. E até perguntamos onde foi que erramos. Apesar de sabermos muito bem. Mas ficamos sem resposta. Por medo de ter coragem. De ver. Sentir. Assumir. E dizer. Sempre será mais fácil procurar fora de nós o erro final. Porque talvez seja maior. E vai com facilidade cobrir nossos tantos, pequenos. Mas que somados, causaram o grande. Por medo de ter coragem. No medo de ter coragem escondemos a covardia de assumir. De desculpar. De pedir. De dar. Para logo ali adiante perguntar. Como ou como foi acontecer. Sem dúvida alguma, sabemos. Mas jamais vamos buscar no antes o motivo do depois. Porque seria preciso perder o medo de ter coragem. E ter coragem. Fechamos-nos em nossa bolha de plástico. Não temos coragem de furar para enxergar. Para ouvir. Descobrir. E enfrentar. Mais do que nosso julgamento o dos outros. Porque temos medo de ter coragem. Mesmo que o medo de hoje nos custe a vida de amanhã. Cancele-nos sonhos. Vontades. Desejos. Alegrias. Que deixamos cair no esquecimento. Porque já não fazem mais parte de nós. Por medo de ter coragem. De recordar. Novamente sentir. Receber. Dar. Viver. Ou reviver. Felicidade. Amor. Prazer. Paixão. Os menores e melhores. Que ficam só com a gente. E já sentimos falta. Mesmo que digamos que não. Mas outros serão felizes. Menos nós. Porque mais uma vez. Temos medo de ter coragem. De dar o passo à frente. E perder o medo de ter coragem.

Antonio Jorge Rettenmaier.
Escritor, cronista e palestrante. Esta crônica está em mais de cem jornais do Brasil e exterior. Contatos ajrs010@gmail.com.

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