Definitivo?

Mas nunca decisivo. Partamos do principio. Quando se tem medo de decidir. Sempre se quer uma reunião, um encontro ou uma conversa definitiva. Que sintomaticamente, nada decide. Porque servem de manter uma válvula de escape para depois. O que é definido é decidido. Nem sempre. Ou quase nunca, seria melhor dizer. A partir do momento […]

Em 18/01 de 2014

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Mas nunca decisivo.
Partamos do principio.
Quando se tem medo de decidir.
Sempre se quer uma reunião, um encontro ou uma conversa definitiva.
Que sintomaticamente, nada decide.
Porque servem de manter uma válvula de escape para depois.
O que é definido é decidido.
Nem sempre.
Ou quase nunca, seria melhor dizer.
A partir do momento que sabemos que nem a vida é definitiva.
Que sempre será alvo de mudanças.
Alterações bruscas e brandas.
Para melhor e para pior.
Então nos escondemos atrás dos definitivos.
Nada mais sagaz.
Inteligente.
Da esperteza humana.
Muito mais talvez até da nossa incerteza e insegurança.
Pode-se até rotular a conversa, o encontro ou a reunião de decisivamente definitiva.
Mas será que sempre o que ficou definido, ficou também decidido.
Ou o que ficou decidido estará também definido.
De nada adianta tentarmos achar uma desculpa.
Qualquer que seja.
Porque se ao final ficou definido, não está decidido.
Se foi decidido, não foi definido.
Tudo aquilo que se define hoje pode não parecer assim amanhã.
Toda decisão de agora pode ser revista depois.
E fatalmente em decisão que coloca uma definição unilateral.
Sendo assim então, fica claro.
E bem claro.
Que tudo que foi definido, não foi também decidido.
E o talvez decidido, não bem definido.
Porque faz parte de nós.
De todos nós.
O ter medo.
De errar.
Esquecendo que a vida é feita mais de erros do que de acertos.
Que são eles que corrigem nossos rumos.
E nos fazem acertar mais.
Embora nos escancarem a insegurança.
Fala de projetar definições de vida, que faz faltarem decisões corretas.
Ou quase certas.
Têm-se medo do que dirão do que faremos melhor não haver definições.
Muito menos decisões.
Entre as duas só haverá uma coisa.
Perda de tempo.
Na vida.
Que todos sabemos, não é definitivo.
Então, porque não decidir logo.
E que se danem as definições.
Dos outros.
O mais importante sempre será.
Decidir ser vida.
E logo.
Se nos arrependermos depois.
Ninguém ira nos consolar.

Antonio Jorge Rettenmaier,
Escritor, Cronista e Palestrante. Esta coluna está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior. Contatos com o autor, ajrs010@gmail.com.

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