Carta aberta

Ao que se vai. Para agradecer aos maus momentos. Porque deles surgiram novos caminhos. Deram-nos a realização de sonhos, que puderam concretizar também de outros. A muito guardados. Ensinaram novos passos de vida, a muito perdidos. Explodiram emoções a muito esquecidas. Não importa quais as melhores. Mas especialmente aquelas que levaram a descoberta da vida. […]

Em 01/01 de 2014

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Ao que se vai.
Para agradecer aos maus momentos.
Porque deles surgiram novos caminhos.
Deram-nos a realização de sonhos, que puderam concretizar também de outros.
A muito guardados.
Ensinaram novos passos de vida, a muito perdidos.
Explodiram emoções a muito esquecidas.
Não importa quais as melhores.
Mas especialmente aquelas que levaram a descoberta da vida.
Das paixões.
Das vontades.
E até mesmo para muitos, do amor.
Ao que se vai.
Obrigado por nos cortar amarras.
Desfazer nós.
Iluminar caminhos.
Nos tirar a culpa que deram sem culpa.
Seria ingratidão, só falar das coisas boas.
Quando se pensarmos bem, as melhores foram mesmo as ruins.
Depois delas muitos puderam de novo escrever poemas.
Imprimir seus versos e prosas.
Falar pouco de saudade.
Mas de muita esperança.
Outros conseguiram sentir reavivar-se a chama da paixão.
Até com medo.
Do amor também.
Da vontade de viver.
Outra vez.
Acordar de pesadelos.
Despertar para alegrias.
Embora ainda escondendo a felicidade.
Mas todos sabendo que agora tudo existe.
Pode ser real.
Basta saber agradecer tudo ao que se vai.
Nada pedir ao que vem.
Ele ainda nada sabe de nós.
Só o tempo lhe dará vontade de ser vida.
Nova vida.
Claro.
Porque a velha se foi com o que se vai.
Andará por aí.
Em rostos sombrios, tristes.
Até com falsos sorrisos.
Poderá até cruzar com a nossa.
Nova.
Com sorrisos reais.
Verdadeiros.
Com a certeza de que tudo se foi com o que se vai.
Esquecer o de bom.
Não.
Tentar reviver.
Muito menos.
Cada passo.
Cada palavra.
Abraço.
Beijo.
Sorriso.
Carinho.
Deve ser novo.
E melhor do que o que se vai.
Pode haver algo melhor.
Difícil.
Porque o bom mesmo é abraçar.
O que se vai.
E deixá-lo ir.
Sem saudades.
Porque o novo está aí.
Com nova felicidade.
E vida.

Antonio Jorge Rettenmaier,
Escritor, Cronista e Palestrante. Esta coluna está em mais de noventa jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior. Contatos com o autor, ajrs010@gmail.com.

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