Caminhos vazios

São aqueles que trilhamos em qualquer lugar, cidade ou rua, sem reconhecer as marcas de nossos passos que um dia podem ter por ali ter sulcado o destino. Reconhecemos os lugares, mas nos parecem vazios. Vemos rostos e figuras, mas já não mais nos são conhecidos. Por algum estranho motivo, ficamos a imaginar se realmente […]

Em 02/10 de 2013

teste-internoSão aqueles que trilhamos em qualquer lugar, cidade ou rua, sem reconhecer as marcas de nossos passos que um dia podem ter por ali ter sulcado o destino. Reconhecemos os lugares, mas nos parecem vazios. Vemos rostos e figuras, mas já não mais nos são conhecidos.

Por algum estranho motivo, ficamos a imaginar se realmente em algum momento, estivemos por ali. Se reconhecer tudo aquilo não seria fruto de nossa imaginação. Sentimos que ao mesmo tempo em que ali estamos não nos encontramos com nada. Não se trata de o tempo ter parado no tempo. Mas de ter passado e levado consigo especialmente as más recordações.

Simplesmente porque elas é que mais nos marcam o passado. As boas recordações acabam mesmo contra nossa vontade, caindo no limbo da memória. Claro que somos injustos com elas. Afinal de contas, na matemática dos guardados, as más têm peso e força maior na média final. Não buscamos saber se qual das duas foi em número maior, ou qual o peso de sua existência. Talvez porque simplesmente faça parte de nós enquanto seres humanos, preferir guardar e marcar com destaque, o ruim.

E também no nosso egoísmo natural, fazemos com que um de ruim, foi mais importante do que uma centena ou até mais, de bons. Nada contra estes, mas precisam reconhecer de que por nossa frágil e simples natureza de perfeição, consideramos de que de nada valeram na conta final. Somos tão imperfeitos nos caminhos vazios, que ao passar a régua, conseguimos por um instante sequer, imaginar que o fiel da balança possa ficar equilibrado.

Porque simplesmente com nosso pré-julgamento e na maioria das vezes ajudado por terceiros, colocamos as gramas finais para o saldo negativo. Só resta então, pararmos na esquina ou em uma curva de uma estrada, observar as calçadas ou a poeira do chão, e fazermos de conta de que nossos passos não mais estão ali.

São poucos, entretanto que sabem entender que por mais que não queiramos, só resta novos passos. Se serão mais importantes ou não, o tempo dirá. Mas na certa teremos então, a oportunidade de trilhar novos caminhos vazios. Quem sabe até com a certeza de que uma nova esquina, não haverá.

Antonio Jorge Rettenmaier
Escritor, cronista e palestrante. Esta coluna está em mais de 90 jornais impressos e eletrônicos do Brasil e Exterior.

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