Os pobres-pobres, os pobres-ricos, os ricos-ricos e os ricos-pobres

O renomado publicitário brasileiro Washington Olivetto imagina a humanidade composta por quatro espécies: os “pobres-pobres”, os “pobres-ricos”, os “ricos-ricos” e os “ricos-pobres”. A primeira espécie são aqueles que não têm dinheiro nem cultura; a segunda, aqueles que não têm dinheiro, mas tem cultura; a terceira espécie são aqueles que possuem dinheiro e cultura, por fim, […]

Em 02/10 de 2013

teste-internoO renomado publicitário brasileiro Washington Olivetto imagina a humanidade composta por quatro espécies: os “pobres-pobres”, os “pobres-ricos”, os “ricos-ricos” e os “ricos-pobres”. A primeira espécie são aqueles que não têm dinheiro nem cultura; a segunda, aqueles que não têm dinheiro, mas tem cultura; a terceira espécie são aqueles que possuem dinheiro e cultura, por fim, a quarta espécie, que são aqueles que têm apenas dinheiro. Olivetto não foi somente criativo, foi filosófico.

À primeira espécie, os pobres-pobres, lhes dou a redenção, pois carentes de recursos e de cultura gratuita e de qualidade, estão à margem da sociedade. Pouco ou nada podem consumir. E entre alimentar o corpo ou o intelecto, evidente que irão comprar arroz e feijão ao invés de irem a um show, a uma livraria, a uma exposição de arte, ao cinema ou fazer uma viagem.

A segunda categoria merece todo o meu respeito. São aqueles que, mesmo pobres, são ricos de cultura, criativos, desafiadores, dinâmicos, de espírito e mente abertas, sempre com boas ideias, agitando o meio cultural onde vivem, sem grande ou nenhum recurso. Propagam informação, cultivada através da força de vontade e curiosidade pela vida – esta que ainda é a melhor escola de artes a céu aberto! Os pobres-ricos contradizem o que afirmam por aí: “Não se faz cultura sem dinheiro”. Se faz sim, com dificuldades, mas se faz. Esta espécie privilegiada segue provando que recurso não é só dinheiro, também pode ser atitude e conhecimento.

Já os ricos-ricos, gastam seus milhões com cultura, arte, educação para si e para os outros. Esta espécie entende bem o poder transformador do dinheiro e entende mais ainda que propiciando educação, arte, cultura e lazer para o maior número possível de pessoas, o mundo onde ele vive se tornará melhor, mais agradável, mais civilizado, mais seguro e menos miserável.

Já os ricos-pobres compõem a pior espécie da humanidade. Não tem brilho, não tem sensibilidade, não tem educação, só dinheiro, muito dinheiro, para suprir sua miséria existencial. No fundo, essas pessoas são umas pobretonas de alma. Dirigem seus carros importados avançando sinais de trânsito, jogando lixo pela janela e estacionando em vagas para deficientes físicos. Pedem o vinho mais caro em restaurantes e tratam garçons como seres inferiores, usam perfumes caríssimos e exalam ignorância, vestem Armani e falam aos gritos e palavrões, preferem comprar um vestido de noiva em Paris do que contratar os serviços de um talentoso estilista brasileiro.

Os ricos-pobres quando vão à Nova Iorque, preferem passear pela luxuosa Quinta Avenida, a ir ao Central Park, ou ao Metropolitan Museum of Art ou a algum teatro da Broadway. Mandam seus filhos para a Disney, mas não participam da vida escolar deles, pagam uma fortuna por uma bolsa Prada e, no entanto, desconta do salário de seu empregado a xícara que o pobre coitado quebrou por acidente.

O rico-pobre vangloria-se de ganhar milhões por ano sem precisar ter lido um livro sequer – nem mesmo estes “ralos”, de autoajuda. O rico-pobre propaga sua arrogância e ignorância, e sua pobreza de espírito não consegue ser disfarçada por muito tempo através de um tecido italiano e perfume importado. Quando me encontrar novamente com uma dessas espécies por aí, vou dar uma esmola.

Cathy Rodrigues
Jornalista
cathyannesr@hotmail.com

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