Cara ou coroa?

“Não há boa saúde sem economia e não há boa economia sem saúde”

Em 08/06 de 2020

Por Emerson Cardoso*

O Brasil segue dividido. A letalidade do vírus revelou ainda mais nossos extremos. Além do agravamento da situação sanitária onde muitas pessoas perderão suas vidas, há o impacto econômico no qual milhões de brasileiros ficarão sem renda. A face oculta da pandemia fragiliza o setor produtivo, acelera as desigualdades sociais e aumenta as filas dos desempregados, mas não na mesma proporção que as dos hospitais. No atual ritmo, a vacina vai chegar primeiro do que a recuperação da economia.

O pensamento binário do branco ou azul, esquerda ou direita, ainda se mantém estacionado na versão empírica, midiática do “salvar vidas ou salvar empresas”. Esquece que “não há boa saúde sem economia e não há boa economia sem saúde”. São lados de uma mesma moeda. Ninguém é contra isolamento social, utilização de máscaras ou higienização das mãos, mesmo em um país onde 48% da sua população não tem acesso a saneamento básico. Ideal seria que cada município definisse sua estratégia de combate a proliferação do vírus sempre amparado pela ciência e sensatez. Difícil sustentar regra única no Brasil continental.

Acompanhamos diariamente números de brasileiros infectados ou vítimas do COVID-19. São tão assustadores quanto o de empresas que se encontram nas unidades de terapias intensivas, entretanto, não são divulgados. As que não fecharam, estão com o modo de sobrevivência ativado; outras com poucas reservas financeiras buscam um novo posicionamento para quando a neblina da incerteza passar retomarem suas atividades. Nesse cenário, estudos do Gooleo e IAT (Integrated Analytical Team) apontam que 62 milhões de brasileiros terão sua renda afetada, já a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) estima que 8 milhões perderão seus empregos, um aumento de 67% no número de desempregados.

A relação simbiótica entre saúde e economia é legitimada em pesquisa realizada pela Fiocruz onde constatou que a expansão do desemprego somado ao corte de investimentos públicos em saúde e programas sociais fez aumentar a taxa de mortalidade entre adultos no Brasil, no período de 2012 a 2017. Ainda alicerçado em bases científicas, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou no ano passado que o aumento de 1% na taxa de desemprego entre homens de 15 a 65 anos aumenta a taxa de homicídios da população em 1,8%. Dessa forma, temos sérios problemas históricos e de ordem social tornando inútil a discussão da falsa dicotomia que alimenta muito mais um posicionamento ideológico do que a sua própria razão.

Não sabemos ao certo onde essa nova mudança vai nos levar, todavia não podemos temê-la. Urge cautela nas decisões e velocidade nas ações. O momento nos desafia porque as consequências pandêmicas não atingirão todos da mesma forma. Uma pequena parcela da população tem fôlego para alguns meses de reclusão, para a grande maioria o oxigênio já acabou. Definitivamente, não estamos no mesmo barco, mas precisamos seguir na mesma direção.

Cara ou coroa? Para mim, está muito clara a resposta!

Me. *Emerson Cardoso – Mestre em Gestão Social e Desenvolvimento Territorial; Professor e Especialista em Empreendedorismo & Negócios; Instagram.

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