Aumento do preço dos alimentos pressiona a inflação e continua preocupando consumidores

Em todo o país, alguns itens básicos tiveram um aumento de mais de 30%

Em 28/10 de 2020

O aumento do preço dos alimentos da cesta básica continua assustando os consumidores, que têm bons motivos para reclamar. Em todo o país, alguns itens básicos tiveram um aumento de, em média, mais de 30%, como foi o caso do óleo de soja, do leite longa vida e do arroz. Aliás, o aumento do preço do arroz é o que tem chamado mais atenção no mercado nacional.

Mas não são apenas os consumidores que reclamam desse aumento. Os comerciantes também estão sendo afetados pelo aumento do preço dos alimentos. Isso acontece em função de problemas desde a produção até a comercialização dos alimentos, acentuados pelo aumento do consumo externo e pela mudança nos hábitos do consumidor em razão da pandemia de COVID-19.

O aumento do preço do arroz

Plantação de Arroz

Com relação ao arroz, especificamente, outros fatores influenciaram no seu aumento expressivo. Um deles está relacionado a problemas estruturais do suprimento do cereal no Brasil, cuja produção está estagnada há 20 anos e não consegue mais acompanhar o aumento da demanda do mercado externo.

Somado a isso, ocorre a redução do suprimento do arroz no mercado interno e o aumento do dólar, que torna mais vantajoso, para o produtor, vender para fora, diminuindo a quantidade do produto disponível no Brasil e, como consequência, aumentando o preço para o consumidor.

Mário Jaskulski, empresário do ramo de cereal em Barreiras/BA

“Em 2007, 2008, nós vendíamos um fardo de arroz a 90 reais, há doze anos atrás. E depois disso, subiu tudo. Subiu salário, subiu combustível, subiu embalagem, todos os custos aumentaram. Então, o produtor hoje não está ganhando dinheiro, ele só está recuperando o que já perdeu”, reforça o empresário Mário Jaskulski em entrevista ao programa Connect Agro.

A desvalorização do real e a inflação

O aumento do valor da taxa de câmbio do dólar, ou seja, da quantidade de reais necessários para comprar essa moeda estrangeira, também indica um problema grave, que é a desvalorização do real diante do dólar.

De acordo com o economista Erick Rojas, a moeda brasileira está entre as três taxas de câmbio mais desvalorizadas do mundo, o que aumenta os custos de produção para determinados setores da economia, como a agricultura, já que certos insumos agrícolas são importados e, com a desvalorização do real, agora os produtores precisam pagar mais caro em produtos essenciais para o cultivo de determinados alimentos.

Erick Rojas, economista

“Aquela medida do governo de zerar as tarifas de importação no caso do arroz, por exemplo, até dezembro, para que entre arroz mais barato para controlar o preço, é uma medida acertada. O que temos que esperar é que nesse tempo, ou seja, até dezembro, pensando nesses três meses do ano, que a inflação que está sendo gerada dentro de alguns setores da economia por esses fatores que a gente está comentando, que ela não se instale em toda a economia, porque aí sim podemos passar, de fato, a incorporar taxas de inflação que são indesejáveis para a economia do país”, declarou Erick Rojas.

Contudo, o aumento do preço dos alimentos e bebidas já está pressionando a inflação. De acordo com dados do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 0,94% em outubro desse ano, que é o maior resultado para o mês de outubro desde 1995, emitindo um sinal de alerta de que é necessário que o governo tenha cuidado para que a situação dos alimentos não prejudique a inflação a longo prazo.

Veja abaixo, vídeo com parte retirada do Programa Conect Agro

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