17/novembro/2017- Atualizado em 17/11/2017 10:10:55

Quando ser albino representa perigo de vida

Isabella Araújo

A denúncia sobre a perseguição e agressões contra os negros portadores de albinismo em alguns países da África é o ponto de partida do livro Beijados pelo Sol, lançamento da Editora do Brasil

Especialista em temáticas africanas, o escritor Rogério de Andrade Barbosa escreveu “Beijados pelo Sol”, após conhecer o sofrimento dos portadores de albinismo na África, onde relatórios oficiais indicam 129 pessoas assassinadas e 181 mutiladas em 23 países daquele continente até 2014.

Barbosa visitava a África em busca de subsídios para outros trabalhos, quando se comoveu com a perseguição sofrida por crianças albinas, que têm partes do corpo retiradas e usadas em rituais de magia, cujos praticantes acreditam que o membro ou corpo de um albino, pode trazer força, sorte ou azar. A prática movimenta um comércio clandestino, no qual um membro pode custar 2 mil dólares e um corpo inteiro, 75 mil dólares.

No livro, Barbosa relata a história de um garoto, Kivuli, que nasceu com albinismo, no interior da Tanzânia, país com incidência de albinismo na África. Kivuli tentava entender a diferença com os amigos e sabia dos riscos que ele corria, até de morrer. Tudo, só porque era diferente dos outros. Ele se protegia do sol na sombra das árvores ao ir para escola, mas um dia foi sequestrado e levado para longe.

A narrativa do escritor presenteia o leitor com um ‘thriller’ de suspense, perseguições, fugas e superstições, num ritmo de aventura com a luta e fugas do herói juvenil para se libertar. Essa movimentação faz com que o leitor, especialmente o mais jovem — alertado pela gravidade da denúncia e do perigo que envolve o personagem principal— se prenda ainda mais ao livro, interessado no desfecho da história.

A ideia é fazer com que a história de Kivuli sensibilize e sirva de alerta e inspiração para as pessoas que lutam contra o preconceito e pela igualdade e respeito, mesmo para quem é diferente. No Brasil, por exemplo, onde é maioria, a população negra ainda sofre todo tipo de preconceito.

Na África, os portadores de albinismo, além das mutilações de mãos, pés, cabelo, olhos e outras partes do corpo, também sofrem com outros tipos de ataques e agressões menores, como o bullying, tipo de agressão que também é registrada em outros países e continentes.

O livro conta com apresentação da jornalista Patrícia Campos de Toledo, autora de reportagem especial sobre o assunto no jornal Folha de S. Paulo.

As ilustrações são de John Kilaka, que nasceu e mora na Tanzânia e é um artista premiado na Europa e na África. Ele usa em sua arte a tradição da “tingatinga”, um estilo imortalizado por um artista da Tanzânia, para conferir um colorido especial às ilustrações.

Sobre o autor
Rogério Andrade Barbosa é professor, contador de histórias e escritor. Formado em letras pela UFF, fez pós-doutorado na UFRJ. Foi durante dois anos professor voluntário a serviço das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Guiné-Bissau, na África. Desde então, dedica boa parte de sua carreira ao estudo da história e literatura oral do continente Africano. Em 30 anos como autor de Literatura Infantil e juvenil, publicou mais de 100 títulos; alguns deles traduzidos em vários países, como Alemanha, Argentina e Espanha. Foi premiado pela Academia Brasileira de Letras (ABL), em 2005, e o Prêmio OPri 2007, da Secretaria da Cultura do Rio de Janeiro.

Sobre o ilustrasdor
John Kilaka nasceu em Sumbsbawanga, sudeste da Tanzânia. Aos 21 anos se mudou para a cidade de Dar es Salam para aprimorar os estudos. É artista há mais de 26 anos e suas obras já foram expostas em diversos país, com Suíça, Alemanha, Dinamarca e Suécia. Ilustrou livros infantis e escreveu histórias que obtiveram sucesso e premiação internacional e foram traduzidas para muitas línguas. Também ministrou cursos e oficinas de arte, além de participar de projetos de leitura, um dos quais ensina crianças órfãs a contar e a escrever histórias para livros infantis, ajudando-as a desenvolver habilidades na escrita. É um projeto bem-sucedido, pois toda a renda com a venda dos livros é revertida para elas. E tudo isso promovendo a literatura! Até agora foram 14 obras publicadas em três idioma: swahili, inglês e sueco.

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