13/outubro/2017- Atualizado em 13/10/2017 11:25:02

Nossas Esperanças

Prof. Gilson Alberto Novaes*

“Brasileiro vive de esperança”. Já ouviu essa frase?

Desde criança vejo nosso povo acreditando em dias melhores para o nosso país. Eu também acredito.

Confesso que tem sido muito difícil ultimamente, mas como somos perseverantes… continuo acreditando!

Imagem Meramente Ilustrativa | Foto: Reprodução https://acertandooalvo.files

Ao longo do tempo tenho visto o povo brasileiro colocar esperanças em homens. A Bíblia nos diz claramente em Jeremias 17:5-6 que é “maldito o homem que confia no homem”.

Trata-se de um aviso, aos que creem, sobre o perigo de colocar pessoas no lugar de Deus. É claro que podemos confiar nas pessoas, mas precisamos saber que todos somos falhos e que somente Deus nunca falha! Não podemos substituir Deus por outras pessoas. A história é repleta de fatos em que Deus foi desafiado e sabemos bem o que aconteceu.

O brasileiro costuma colocar suas esperanças em “salvadores da pátria”. A história recente nos mostra como foi com Jânio Quadros, com Collor, com Lula… para ficarmos só com os mais populares. Hoje o povo está à procura de um salvador da pátria! Incrível, mas a história pode se repetir. Lamentável.

Lembro-me da campanha de Jânio para presidente em 1960. Num de seus comícios, ganhei uma ampola, dessas de injeção. Dentro, ao invés de líquido com o remédio, havia uma vassourinha de metal, escrito por fora: “remédio para o Brasil”. Eu achava lindo. Até pouco tempo eu a tinha guardada. Criança ainda, foi meu pai quem me explicou: “é que o Jânio diz ter o remédio para o Brasil e diz que é uma vassoura, para varrer a sujeira do país”. Talvez tenha sido aí o início do meu gosto pela política.

Tinha até uma musiquinha: “Varre, varre vassourinha – varre, varre a bandalheira. O povo está cansado, de sofrer desta maneira. Jânio Quadros é a esperança, desse povo abandonado. Jânio Quadros é certeza, de um Brasil moralizado. Vá nessa meu irmão, vassoura conterrâneo, vamos vencer com Jânio! ”

A esperança durou oito meses. Jânio renunciou em agosto de 1961.

Tivemos a pausa democrática pela ditadura militar, embora não faltasse os que confiavam nos generais.

Em 1989 chegamos pela primeira vez de volta às urnas com o povo para eleger um presidente. De novo o povo acreditou num homem, sem lembrar dos ensinos bíblicos. Fernando Collor de Mello, um jovem de boa fala, postura altiva, falava o que o povo queria ouvir. Dizia que iria acabar com os “marajás” e de um futuro sem os riscos de experiências esquerdistas fracassadas na Europa. Contrapunha o PT de Lula na época. Foi eleito.

Governou dois anos (90 a 92) e, para não sofrer “impeachment”, renunciou antes. Foi sucedido pelo seu vice, Itamar Franco (1992-95) que lançou seu ministro Fernando Henrique Cardoso como candidato. Eleito, governou por oito anos (1995-2002), sem ser essa figura de salvador da pátria, embora seja no reino tucano, o de maior bico.

Depois de três derrotas, reaparece o novo salvador da pátria: Luiz Inácio Lula da Silva. Sua musiquinha dizia: “É a gente junto, Lulalá…” Lembram? A confiança do povo, de novo colocada num homem. Governou por dois mandatos, de 2003 a 2010 e é tido até hoje, como essa figura que salvou a pátria. Salvou?

Em 2010 elegeu sua sucessora Dilma Roussef que governou o país de 2011 a 2016, quando foi cassada. Também era tida como salvadora da pátria, ou pelo menos continuadora do trabalho do salvador. Não deu certo. Afastada do cargo, deu origem a que seu vice, eleito junto com ela, pudesse assumir a presidência. Assumiu. Estamos vendo no que dá confiarmos em homens (ou mulheres).

A confiança do brasileiro não pode estar numa pessoa que não seja Deus.

Há 57 anos – para ficar historicamente mais próximo, já tínhamos um candidato que queria “varrer a bandalheira” e ser a “esperança do povo abandonado”. Depois veio outro que queria acabar com os “marajás” (funcionários públicos que ganhavam muito…). Parece piada se compararmos com o que vemos hoje. Depois, aquele que dizia que “é a gente junto…”.

E o povo acredita! E vota! E sofre. E vota de novo!

*Gilson Alberto Novaes é Professor de Direito Eleitoral na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie-campus Campinas e Coordenador Acadêmico do Centro de Ciências e Tecnologia.

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