01/novembro/2018- Atualizado em 01/11/2018 6:32:47

Desconhecimento e demora no atendimento aumentam incidência de óbitos pelo AVC

O Brasil apresenta a quarta taxa de mortalidade, decorrente da falta de informação | Imagem meramente ilustrativa | Reprodução TV Sol Comunidade

Nara Bueno | Comuniquese1

Maioria da população não sabe os sinais e sintomas da doença

A data de 29 de outubro marcou o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), a causa mais frequente de óbito na população adulta no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 10% das mortes nesta faixa etária são causadas por esse tipo de ocorrência, mesmo percentual observado nos casos de internações hospitalares na saúde pública. Os AVCs são classificados como hemorrágico ou isquêmico, este último representando mais de 80% dos casos.

“Entre os países da América Latina e Caribe, o Brasil apresenta a quarta taxa de mortalidade, decorrente da falta de informação. Embora uma em cada seis pessoas possa ter o problema, apenas 8% dos pacientes sabem dos seus principais sinais e sintomas”, afirma José Luciano Monteiro Cunha, coordenador da área de Neurologia do Hospital Leforte. O especialista reforça a importância da atenção a um ou mais sintomas de forma súbita: alteração da fala, alteração da visão, dificuldade motora, perda de sensibilidade e náusea.

Resultado da insuficiência no fluxo sanguíneo em uma determinada área do cérebro, o AVC ocorre por motivos diferentes como formação de coágulos em placas de gordura nas artérias do pescoço ou do cérebro, embolia de coágulos a partir do coração, ou alterações dos vasos cerebrais como aneurismas e mal formações arteriovenosas. Dentro dessas causas, os principais fatores de risco são a hipertensão arterial, o diabetes melitos e o colesterol elevado.

Com a falta de oxigênio provocada pela ocorrência do AVC, os neurônicos tendem a morrer em um período de tempo de 5 a 6 minutos. “Estamos falando de uma doença tempo-dependente. Ou seja, quanto mais rápido o atendimento, maior a chance de recuperação completa. Por isso, a realização do atendimento no prazo máximo de 4h30 depois do início dos sintomas é importante para o tratamento com trombolíticos (remédios que dissolvem os trombos sanguíneos) e 8h para os casos mais graves, nos quais precisamos fazer uma trombectomia mecânica (cateterismo cerebral, também chamado de tratamento endovascular)”, ressalta Bruno Gonzales Miniello, que também atua na coordenação da Neurologia da instituição.

Entre as sequelas que a doença pode causar estão: dificuldade de andar, dificuldade para falar e entender o que é dito, falta de coordenação motora, perda de sensibilidade, cegueira ou distúrbios incapacitantes da visão.

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